A Gestão de Pessoas nas Empresas em Recuperação Judicial

Susana Falchi 

O pedido de recuperação judicial do grupo OGX, realizado recentemente, leva a reflexões sobre como ficam os colaboradores de uma empresa em um processo tão complicado. Notícias na mídia dão conta de que cerca de 60 pessoas foram demitidas durante o mês de outubro, incluindo pessoas da alta diretoria. Grandes companhias já passaram por situações semelhantes e conseguiram se recuperar, em grande parte devido ao engajamento de seus funcionários, justamente quem mais sofre durante todo o processo, que envolve demissões e muito stress.

Mas como fazer isso, sem que a empresa perca seu ativo mais valioso: as pessoas? A recuperação judicial foi criada para substituir a antiga concordata e evitar a falência das empresas. As companhias que recorrerem à lei ficam blindadas de cobranças de credores por 180 dias e deverão elaborar um plano para recuperar a empresa. Esse plano precisa ser aprovado pelos credores e executado com sucesso pela companhia para o processo chegar ao fim. A decisão de encerrar a ação é da Justiça.

A tarefa de reerguer uma empresa envolve, no mínimo, dois grandes desafios: ganhar a confiança dos credores e conseguir manter a empresa operante. Muitas empresas em crise interrompem as atividades por falta de caixa e crédito para honrar compromissos básicos, como pagar funcionários e comprar matéria prima. Mas, para manter a empresa operante, é preciso que as pessoas continuem atuando e produzindo, possivelmente mais do que antes e com maior produtividade, para que se mantenham os serviços prestados com qualidade e retorno financeiro. A grande pergunta é como fazer em meio a atrasos de salários, demissões e ondas de boatos que percorrem os corredores da empresa?

O executivo que conduz o processo precisa mostrar a “luz no fim do túnel” para seus funcionários, ou seja, deixar claro o plano estratégico por detrás de cada decisão. Torna-se necessário, portanto, ter uma boa comunicação interna com seus funcionários. Para que isso seja feito, sem deixar dúvidas dentre as pessoas, a Gestão Interina é a solução ideal. A escolha de um profissional altamente qualificado com a missão clara de recuperar a empresa por um período de dois anos é a forma de manter a parte operacional atuando de forma satisfatória. Encerrado o ciclo, opta-se por um novo Gestor, que comandará a empresa já com novo fôlego.

Sem dúvida, podemos afirmar que há grandes desafios na Gestão de 

Pessoas. O processo de recuperação judicial envolve demissões em vários níveis o que, além da apreensão geral, pode passar pela troca de comando de equipes. É preciso trabalhar com a estrutura mínima para compatibilizar os custos com o momento da reorganização. Não é nem um pouco fácil selecionar quem fica e quem vai ser demitido.

O gestor precisa fazer um mapeamento de perfis, faixa salarial e estabelecer uma política que fique clara para seus colaboradores. A manutenção da estrutura mínima impõe uma revisão qualitativa das pessoas que permanecem na operação. Além disso, é preciso redefinir a estrutura organizacional e as melhores pessoas para superar esse ciclo.

Outra questão crucial durante o processo de recuperação judicial é que as dificuldades de caixa levam ao parcelamento dos débitos trabalhistas rescisórios. Ainda que se dê em prazos menores do que com os demais credores, isso impacta severamente a vida dos funcionários demitidos. Dentro de todo o processo, a empresa em dificuldade prejudica o clima organizacional e impacta na autoestima individual e das equipes de trabalho.

Dessa forma, quem liderar e comandar o processo de recuperação terá que ter a capacidade e as competências para unir e turbinar uma equipe fragilizada, desmotivada e desconfiada. Para isso, a presença de um “líder” novo, isento e externo é a solução, uma vez que o atual gestor perderá a credibilidade perante o pessoal.    

Nesse sentido, contratar um novo gestor não elimina automaticamente a insegurança. Perguntas tornam-se recorrentes como: “qual será o critério que ele adotará? Irá contratar? Irá demitir? Como eu fico?”. Portanto, não existe receita pronta em um processo de recuperação judicial, mas com um foco claro, canais abertos com os funcionários e stakeholders e um plano de ação bem elaborado, o caminho é facilitado.

(*)Susana Falchi, é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos. Com quase 20 anos de experiência na área, a executiva foi convidada a integrar o Comitê de RH do IBGC, após fazer o curso de formação para conselheiros. Ela atua como executiva e consultora em Projetos Estratégicos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. É administradora de Empresas com MBA em RH pela FEA/USP.

Novembro de 2013

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